domingo, 8 de março de 2015

Não perdi guerra nenhuma

A coisa não tem andado fácil. O meu estado físico está em declínio e são cada vez menos os dias em que me sinto inteira. Ou são dores de cabeça, ou são dores nas pernas, ou não consigo comer, ou não consigo digerir o que como; ou é uma fadiga extrema ou outra mais ligeira, não interessa, há sempre algo a incomodar. Na verdade, já não sei o que é estar bem há algum tempo...

E assim vou vivendo, agora sim um dia de cada vez, abafando as expectativas, sufocando os laivos de esperança que, volta e meia, se acham no direito de tentar contrariar a ciência. Mas o prognóstico, antes do fim do jogo, começa a ser implacável e, nos consultórios médicos, o incómodo já é mal disfarçado.

Passando à prática, há pedidos que quero deixar aos amigos. O primeiro faço-o hoje, aqui.

1 - Não me tratem por guerreira; não digam que após uma luta brava não consegui vencer o cancro.
Amigos, não há, em rigor, luta nenhuma, não há cá coragens nem meias coragens e, portanto, não há perdedores, assim como não há vencedores por capacidades próprias.
Até parece que quem luta a sério, ganha; que quem acredita, ganha (o sonho comanda a vida uma ova)... É muito injusto...
Trata-se, isso sim, da lotaria da vida, nada mais do que isso. E eu sou, ou fui, apenas, uma pecinha de um jogo que nunca quis jogar nem realmente joguei.

E eu não sou uma pessoa fraca; caí mil vezes e outras tantas (menos uma) me levantei, nunca deixei de me rir e brincar nem de me entregar a todas as mãos que, em determinado momento, me pareceram que poderiam fazer algo por mim. Nunca me dei por vencida mas desde o primeiro minuto soube que tinha uma doença incurável e que uma doença incurável é isso mesmo, nada mais nada menos do que dizem as palavras. Não podia, por isso, aceitar todos os "vai ficar tudo bem" que, certamente com amor e amizade me dirigem, os "acredita" que, de algum modo, sinto que me exigem...
Tenho dado o meu melhor mas não sou guerreira, não perdi batalha nenhuma...

O que eu realmente perdi foi muito mais do que isso mas fica para outra conversa.

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2 comentários:

Maria João disse...

És a minha pessoa preferida do mundo inteiro, adoro te, és maravilhosa, e tenho a sorte de ser tua irmã, o que todos os dias agradeço!
Para o resto, não há palavras... a forma como tens levado tudo isto, revela bem, o "material" de que és feita, e é do mais precioso, acredita!
Obrigada, Adoro te!
<3

Lina Querubim disse...

Queria ler-te...saudades...